quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Um estranho em casa

Em sua maioria, os jogadores que defendem a Seleção Brasileira, com “S” e “B” maiúsculos pela sua história, atuam na Europa. Fora as partidas das Eliminatórias, os amistosos realizados ocorrem fora do país - afinal a cota pedida pela CBF é altíssima para a colocar a grife da Seleção em campo. Resumindo, quando os convocados de Dunga atuam em terras tupiniquins é como se estivessem atuando fora de casa. Por tanto, o 0 a 0 com a Colômbia nesta quarta-feira foi um resultado a ser comemorado. Pois, já dizia o velho lobo, Zagalo, o empate fora de casa é um bom resultado.

Brincadeiras a parte, a cada jogo que passa fica evidente o desconforto dos jogadores brasileiros em jogarem aqui. Não por não gostarem do Brasil, que fique claro. O desconforto é no sentido de não se sentirem a vontade de entrarem em campo com a torcida pronta para vaiá-los. Resolver o problema é simples, basta jogar bola.

A seleção, este time de Dunga merece ser chamada de seleção com “s” minúsculo, não tem nada em termos ofensivos. Os laterais não apóiam. Os volantes não saem para o jogo e erram passes em quantidades cavalares. Os atacantes e os meias não acham os espaços para receberem a bola. O time não se movimenta, parece plantado como se fossem bonecos de Fla-Flu, que ficando indo de um lado para o outro, apenas. Não há nem um desespero em busca da vitória, o empate é aceito dentro das quatro linhas e a atitude comprovada nos microfone com o conformismo da maioria dos jogadores.

Dunga também não se ajuda, não arrisca na escalação. Segue utilizando uma fórmula que não marca um gol em “casa” há três jogos.

A classificação para o Mundial virá sem problemas. A sorte que a Copa no Brasil será só em 2014 e a próxima é na A´frica do Sul, por tanto, o Brasil entra como favorito.

Dopietta

Doppietta é o termo utilizado em italiano para dizer que um jogador marcou dois gol em uma partida. E é isso que marca a Itália nas Eliminatórias para a Copa de 2010. A Azzurra, como sempre, não apresenta um futebol bonito, mas faz uma campanha que deverá lhe dar a vaga para o Mundial da África do Sul sem problemas.

Até aqui a seleção de Marcello Lippi disputou quatro partidas com três vitórias e um empate. Os triunfos foram em cima do Chipre por 2 a 1, dois gols de Di Natale, 2 a 0 sobre a Geórgia, duas buchas de De Rossi, e nesta quarta bateu Montenegro por 2 a 1, com Aquilani indo as redes duas vezes.

Os atacantes não vão muito bem na Azzurra, até Di Natale, que marcou dois gols na estréia, fez três atuações fracas na seqüência. Defendendo a seleção Gilardino e Toni não vivem boa fase. Lippi tentou Pepe, da Udinese, mas ainda não deu liga. A esperança é o jovem Rossi do Villarreal.A próxima partida é novamente contra Montenegro. Quem marcará a dopietta?

Abaixo os gols de De Rossi sobre a Geórgia.

Exagerado

O STJD deu uma de Cazuza e foi exagerado ao punir os jogadores Léo, Réver e Morales, do Grêmio. Os gremistas foram suspensos por 120 dias, três jogos e oito partidas, respectivamente, por lances ocorridos na partida diante do Botafogo.

Do tríplice julgamento, o único que preocupava a diretoria tricolor era o do zagueiro Léo. Ledo engano dos dirigentes. Todos os jogadores receberam penalizações rígidas demais. Os auditores do tribunal fugiram dos padrões das punições aplicadas anteriormente. O Grêmio recorrerá e as penas certamente serão reduzidas. É o mínimo que pode acontecer.

Na segunda-feira, Tcheco pegou gancho de dois jogos por sua expulsão no Gre-Nal. O meia recebeu cartão vermelho junto com o colorado Edinho. O jogador do Inter foi absolvido.

Difícil, desta vez, acreditar em coincidência. O mesmo STJD puniu o atacante Alex Alves, do Juventude, e absolveu Dodô, do Fluminense, em casos similares de doping. Até a Fifa achou estranha a decisão e ela mesma julgou o jogador tricolor punindo-o. Há ainda o caso do Inter em 2005, mas esse é muito mais complexo.

Muito se criticou o procurador-geral da entidade, Paulo Schmitt. Porém, o problema, nesse caso, não é ele. O cerne da questão é que quem julga não está tendo critério. Para lances parecidos, penas distintas – Léo pega 120 dias, Diego Souza é absolvido. Schmitt fez seu trabalho, que é denunciar o que ocorre de errado nos jogos do Brasileirão. As punições não são sentenciadas por ele. Porém, será que ele apresentou ao tribunal todos os empurra-empurra que ocorreram no Brasileirão, como o que deixará Réver de fora dos jogos contra Portuguesa, Sport e Cruzeiro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ainda é tempo

O dia está acabando, mas ainda é tempo de relembrar o dia 15 de outubro de 1983. Há 25 anos, Nelson Piquet Sotto Maior conquistava o seu bicampeonato na Fórmula 1. O primeiro título veio em 1981. O tri em 1987.

O bi veio na última corrida da temporada, na África do Sul. Chegaram na briga pelo mundial de pilotos Piquet, Arnoux e Prost. Na 35ª volta, Prost abandonou a prova e o brasileiro passou a administrar a corrida, pois o quarto lugar lhe bastava. Piquet terminou em quarto e atingiu a consagração.

Os melhores momentos da prova estão no vídeo abaixo.


Dia 30 deste mês comemora-se 20 anos do primeiro título de Senna.

sábado, 11 de outubro de 2008

Mudar de postura

Felipe Massa terá que mudar sua atitude em relação as últimas provas em que não esteve na frente. Preferiu correr com a cabeça para chegar ao fim das corridas e marcar pontos. Diminuiu seu ímpeto, que lhe custou muitos erros nas nessa e na temproada passada. Mas não dá mais para ser assim.

O brasileiro está a sete pontos do líder do Mundial de piloto da Fórmula 1, Lewis Hamilton. Não bastasse a incomoda diferença, o inglês largará na pole no GP do Japão, que ocorre na próxima madrugada. Massa não conseguiu ir além da quinta colocação.

Largar bem será essencial, mas talvez não baste. Será preciso torcer para a chuva cair na hora certa e um safety car aparecer atrapalhando o piloto da McLaren. Ficar só no braço de Massa, talvez, não seja suficiente.

A situação de Rubens Barrichello preocupa. É provável que ele fique a pé em 2009. Casso isso ocorra, ele entrará em profunda depressão, pois antes de ocorrer o fato ele já está chorando as pitangas.

Barrichello já brigou por vitórias, está tendo um fim de carreira lamentável. Paga mico atrás de mico. O brasileiro não está sabendo a hora de parar. Parece gostar de ser ridicularizado. Rubinho nunca foi espetacular, mas o piloto Barrichello não merecia terminar a carreira no fundo do Grid. Já a pessoa Rubens...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Clemer e o banco

Clemer completa 40 anos no próximo dia 20. Como presente de aniversário antecipado, o técnico Tite deu a ele um lugar no banco de reservas. A decisão é polêmica, não pelas defesas que o experiente goleiro está deixando de fazer, que são muitas, mas pela circunstância.

O problema é que Clemer está no fim de carreira, talvez ela acabe no fim do ano. As seis temporadas no Beira-Rio foram marcadas por grandes defesas e inúmeras falhas. Em 2008, ele foi inconstante quando teve oportunidade. Os erros ocorreram a granel. Porém, só agora a troca no gol colorado foi efetivada.

Restam ao Inter dez jogos pelo Brasileirão e no máximo mais seis pela Sul-Americana. Como o clube não tem mais pretensões no campeonato nacional, não há problemas em deixar Clemer atuar. Lauro, o novo titular, ainda não está inscrito no torneio continental e o goleiro campeão do mundo voltará a defender a meta vermelha.

Independente do conceito que se possa ter sobre Clemer, é inegável sua importância na história do Inter. Colocá-lo na reserva nesse momento é falta de consideração com ele. Um problema recorrente cometido pela diretoria colorada que não tem tratado muito bem de seus ídolos nos últimos anos.

Quarentões

Clemer entra no grupo dos goleiros que chegara aos 40 ainda em atividade. O caso mais notório é o do italiano Dino Zoff, que com quatro dezenas de anos de vida foi campeão Mundial em 1982 na Espanha. Ele pendurou as luvas aos 41 anos.

Outro que vem da Bota é Pagliuca, que disputou duas Copas como titular. Ele deixou o futebol há duas temporadas, aos 41 anos, defendendo o Ascoli. Ano passado esteve cotado para ser contratado emergencialmente pela Juventus, mas a idéia não vingou.

O quase intransponível Schmeichel atuou em grande nível até os 40. Largou o futebol defendendo o Manchester City em 2003. Da Terra da Rainha, três goleiros do English Team demoraram a largar o osso. O trapalhão Seaman jogou até os 41, mesma idade com que Banks parou. Porém, ninguém foi tão longe quanto a lenda Shilton. Após três Copas do Mundo e 125 jogos pela seleção inglesa, ele continuou sua carreira. Só sossegou após ter alcançado a marca de 1005 jogos oficiais aos 47 anos.

No Brasil, o caso mais conhecido é o de Manga que atuou até os 42.

Alguém lembra de mais algum exemplo?

De volta ao topo

Celso Roth correu riscos demasiados. Ignorando os mandamentos do futebol, resolveu mudar meio time para enfrentar o Botafogo. Deu certo. Com moral, a escalação foi repetida. Deu certo, de novo e o Tricolor bateu o Santos por 2 a 0. Mais do que a vitória, o importante foi reassumir a liderança do Brasileirão.

A turbulência passou. Setembro foi embora sem vitória. Outubro está sem derrotas. Porém, Roth começa a empilhar jovens no time. Até o momento todos demonstram qualidade, mas faltando nove rodadas conseguirão suportar a pressão até o fim?

A partida chave dessas nove decisões, ao que tudo indica, é diante do Palmeiras em São Paulo. O ideal é o Tricolor conseguir abrir uma vantagem para o Verdão em que no confronto direto, porque se o Grêmio estiver ao alcance do time de Luxemburgo, o Paque Antártica será um campo de guerra e Luxa não tem medo de jogar sujo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Brasileirão 2008 tem sete rebaixados

Sem levar em consideração critérios técnicos, o Brasileirão 2008 está sendo um excepcional campeonato. Faltando dez rodadas para o fim da competição, são cinco os clubes com chances reais de serem campeões - o que deixa os favoráveis ao formulismo tendo tremeliques constantes.

Porém, a situação mascara um fato desanimador. Tem muita gente ruim nesse campeonato. Na média, os times pioraram. Pioraram muito! O último clube fora da zona do rebaixamento em 2007 foi o Goiás. O Esmeraldino safou-se do descenso com 39,4% de aproveitamento. Pode-se dizer que nesse Brasileirão teríamos sete rebaixados. SETE!! São sete clubes com um índice menor do que esse. Isso que o Santos, 13º lugar, tem os mesmos 39% de aproveitamento que os goianos obtiveram.

Fazendo o comparativo inverso, dos quatro que caíram ano passado (América-RN, Paraná, Juventude e Corinthians), apenas o pífio Mecão desceria para a Segundona de 2009. O Paraná, antepenúltimo colocado, terminou o certame beirando um desempenho de 36%.

O campeonato por pontos corridos ainda é incipiente e engatinha no Brasil, enquanto na Europa ele já está consolidado. Mas já se pode notar um distanciamento nas pontas da tabela por aqui. Os clubes, em sua maioria, ainda não estão 100% adaptados a este sistema, o que provoca algumas distorções. A projeção deste blogueiro é que daqui a alguns anos, os Brasileirões se tornem polarizados com duas equipes disputando o título. Talvez as concorrentes mudem de uma temporada para outra, mas a tendência é essa.

Aguardem e me cobrem.

Te cuida Brasil

Na época do cursinho pré-vestibular, os professores, com suas fórmulas prontas, inclusive para a redação, orientavam seus alunos a não escreverem expressões do tipo “cada vez mais”, na hora de escrever a composição que seria avaliada. Mas hoje é inevitável não utilizar a expressão.

A FIA divulgou nesta terça-feira o calendário de 2009 da Fórmula 1 e CADA VEZ MAIS a categoria toma novos rumos. A temporada segue tendo 18 provas, porém com uma mudança significativa. Saí o GP do Canadá e entra o de Abu Dhabi. É a troca é de um circuito de rua por outro, só que o novo é recheado de petrodólares.

Até a metade da década de 90, no continente, apenas o Japão recebia corridas. Agora, além dos nipônicos, malaios, barenitas, cingapuriano, chineses e, ano que vem, os árabes recebem os monopostos mais cobiçados do mundo. Sem contar com a euro-asiática Turquia.

As ruas da cidade de Montreal, além de proporcionarem belas imagens, eram certeza de uma boa corrida, num dos melhores GPs do calendário. Ver os carros “lambendo” ou se “beijando” o muro dos campeões era ensacional. Era, pois ficará na memória, por enquanto. É preciso esperar para ver como será o traçado em Abu Dhabi, que não seja parecido com Valência ou Cingapura que estrearam este ano.

É bom o Brasil se cuidar, pois pode ser o próximo a ter de deixar a Fórmula 1. O país do samba e do futebol tornou-se muito contra-mão. A partir de 2009 será o único evento da categoria do lado de cá do Atlântico. A Rússia, entre outros, há alguns anos planeja receber a F-1.

O calendário para o próximo ano:

Austrália - 29 de março

Malásia - 05 de abril

Bahrain - 19 de abril

Espanha - 10 de maio

Mônaco - 24 de maio

Turquia - 07 de junho

Inglaterra - 21 de junho

França - 28 de junho

Alemanha - 12 de julho

Hungria - 26 de julho

Europa (Valência) - 23 de agosto

Bélgica - 30 de agosto

Itália - 13 de setembro

Cingapura - 27 de setembro

Japão - 11 de outubro

China - 18 de outubro

Brasil - 01 de novembro

Abu Dhabi - 15 de novembro

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Alex merece

Alex nunca escondeu seu sonho de atuar na Seleção Brasileira. Nunca apressou-se para que esse momento chegasse. Na tarde de 6 de outubro de 2008, até de maneira surpreendente, ele veio. Aos 26 anos, sua convocação por Dunga é um mérito para quem nunca desistiu. Desde que chegou ao Inter em 2004, o meia conviveu com inúmeras lesões. As primeiras foram graves torções. Depois, vieram os insistentes problemas musculares.

Os últimos jogos da Libertadores 2006, conquistada pelo Inter, Alex foi um guerreiro. Entrou em campo descontado. Correu na raça. As dores no púbis eram grandes. Após o título, novo período de inatividade para tratamento. No fim daquele ano, no Mundial, nova superação. Dessa vez, o jogador estava se recuperando de torção do tornozelo, mesmo assim enfrentou o Barça por 45 minutos.

Nascido no Interior do Paraná e formado no Guarani de Campinas, Alex é uma figura rara no futebol brasileiro. É esclarecido, uma excelente conversa. Certeza de boas entrevistas. Mas sem nunca esquecer suas origens caipiras. Não dispensa uma música sertaneja. Mesmo nos momentos mais difíceis nunca se exaltou. Nas derrotas nunca negou uma palavra para explicar o resultado adverso.

Após ter visto naufragar seu sonho de chegar à Seleção através da lateral-esquerda e sofrer fortes críticas por fracassar na posição e insistir que poderia representar o Brasil, calou-se e voltou ao meio-campo. Retornou ao trabalho, ganhou nova função, atuando mais solto e próximo ao centroavante. Seu futebol aflorou e ele vive sua melhor fase na carreira.

Um de seus sonhos Alex vai realizar, o de vestir a amarelinha. Falta, agora, sentar num carro de Fórmula-1, uma de suas paixões. Mas, certamente, ele não tem pressa para isso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tragédias cariocas

O Fluminense contratou Renê Simões para salvar o clube do rebaixamento no Brasileirão. O treinador levou a Seleção da Jamaica à Copa do Mundo de 1998. Conquistou a prata com o futebol feminino em 2004. Depois, teve passagem apagada pelo Vitória e no ano passado, conseguiu recuperar o Coritiba na Série B e fez o Coxa Branca voltar à elite do futebol nacional.

De cara, seu nome não seria o mais indicado para tirar o Flu dessa situação. Mas uma análise mais profunda pode-se notar que essa não é mais uma contratação folclórica, típica do futebol carioca. Simões é um positivista, completamente o oposto do demitido e depressivo Cuca. Seu trabalho é voltado para fortalecer a parte mental dos jogadores. No Coritiba, ele espalhava frases de incentivo aos atletas por todo o Estádio Couto Pereira, lá deu certo.

A derrota na Libertadores abalou demais o elenco do Tricolor das Laranjeiras que ainda está no período de fossa. Apesar de algumas saídas de jogadores, ainda há qualidade, apesar da contratação de Edcarlos. Por isso, René Simões é uma boa escolha. Mas por seu estilo, caso o Fluminense caía, certamente ele virará parte do folclore do futebol carioca. É um risco a ser corrido, pior do que está não fica.

Seria a terceira queda do clube para a Série B. Numa delas houve virada de mesa e Fluminense seguiu na Primeira Divisão. Depois, caiu para a Segundona e na seqüência conheceu a Terceirona. Após vencer a Série B, tirou proveito da Copa João Havelange e subiu sem escalas para a Série A. Com o forte patrocinador que possui, caso seja rebaixado, voltará rapidamente, assim como faz o Corinthians esse ano.

O Vasco vive situação pior. O elenco é menos qualificado e o novo presidente, Roberto Dinamite, pegou a bomba, ou a dinamite para não perder o trocadilho, prestes a estourar. Ele vai rebaixar o clube sem ter culpa. A situação é causada pelo câncer Eurico Miranda, que nesse momento deve estar fumando seus charutos cubanos confortavelmente em casa.

A maior tristeza se o cruzmaltino cair, será ver dois craques e símbolos do clube participarem dessa tragédia. Dinamite e Edmundo, em seu ano de aposentadoria, fizeram demais pelo Vasco para participarem do vexame. Agora, quem merece é Leandro Amaral, que não quis cumprir contrato com o Vasco e se debandou para o Fluminense, mas justiça o mandou voltar. Quis dar de esperto e se deu mal. Caso seja rebaixado, o Vasco do jeito que está, sem dinheiro e sem time, dificilmente retorna em um ano para a elite.

Prejuízo

O Inter empatou por 0 a 0 com a Universidad Católica e ganhou vaga nas quartas-de-final da Copa Sul-americana. Durante o jogo perdeu Guiñazu. Ganhou a classificação, perdeu um jogador incansável. Os dividendos tornaram-se maiores do que os lucros.

Guiña é um jogador raro. É um Tinga pelo lado esquerdo. Dedica-se o tempo todo, não para nunca. Seu único defeito é não saber fazer gols, assim como Tinga que era um péssimo finalizador. Logo após entrar na partida, 30 segundos depois. para ser mais preciso, o argentino caiu no chão de mau jeito. A conseqüência foi uma luxação no cotovelo esquerdo e três semanas de molho.

Com a guinada da equipe no Campeonato Brasileiro, conquistar uma vaga na Libertadores tornou-se prioridade, tanto é que a partida de quarta-feira foi disputada com os reservas. Sendo assim, o clube segue na Sul-Americana, mas perde peça fundamental para terminar o Brasileirão no G-4.

Apesar da situação ter melhorado, com o Colorado, agora, a quatro pontos do quarto colocado, a situação não é tão fácil quanto parece. É muita gente na briga pela vaga e dificilmente todos os resultado serão benéficos numa mesa rodada. O trunfo vermelho está em ter confrontos diretos, o problema é que a maioria é fora de casa. As possibilidades de uma classificação ainda são pequenas.

O time de Tite está em evolução, mas ainda não se tornou confiável. Faltou planejamento e sobrou olho grande aos dirigentes colorados. O técnico se tornou refém das atitudes tomadas no fim de 2007.

Pode se dizer o contrário, mas a Copa Dubai prejudicou o preparo físico da equipe. Valeu a pena conquistar um título com valor meramente simbólico e perder desempenho no meio do ano? Com o elenco que possui, um título nacional em 2008 era obrigação. Sem contar que pela segunda temporada seguida, o elenco foi modificado sensivelmente com o Brasileirão em disputa. O Inter paga pelos próprios erros.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vermelho

No futebol o fim de semana foi vermelho. Os clássicos que ocorreram no sábado e domingo tiveram como vencedores os clubes que possuem uniformes da cor do sangue sobre os de azul.

Brasil

No Grenal, o Inter triturou o Grêmio no Beira-Rio e de quebra tirou a liderança do rival no Campeonato Brasileiro. Enquanto o colorado não perdeu nenhuma partida em setembro, o Tricolor passou o mês de mal com a vitória.

Tite achou a formação ideal para sua equipe, mesmo que a torcida não goste de Edinho. O time começa a ter um toque de bola envolvente. Potencialmente é a melhor equipe do Brasil, na prática ainda não. O clube acordou tarde para o campeonato e trocar o pneu com o carro em movimento traz problemas desnecessários. O técnico colorado superou os problemas no vestiário e começa a cativar seus jogadores.

Roth começa a sentir os efeitos de um elenco limitado. O preparo físico gremista já foi alcançado pelos concorrentes. Quando o desenvolvimento atlético se iguala, é preciso jogar futebol para vencer. No grupo de jogadores não há quem possa decidir uma partida sozinho.

Até mesmo a vaga na Libertadores está ameaçada. Porém, seu trabalho não pode ser criticado com a veemência que vem sendo feita. Antes de enfrentar o São Paulo na primeira rodada, o medo era de rebaixamento. Um turno e algumas rodadas depois, o Grêmio possui a mesma pontuação do líder. Um desempenho que supera as expectativas. Lógico que o treinador comete erros, isso é inerente a profissão. Mas no geral, seu desempenho surpreende positivamente.


Itália

No Derby della Madonnina deu Milan. Os rossoneri bateram a Inter por 1 a 0, gol de Ronaldinho. O gaúcho está longe de ser o aquele Ronaldinho, mas ao menos já demonstra mais disposição para correr atrás da redonda. Pato volta a viver bom momento e afasta as possibilidades de ser emprestado para a Udinese.

Ancelloti surpreendeu ao colocar Seedorf na função de Pirlo. Com a qualidade de passe e dois pegadores (Ambrosini e Gattuso) ao seu lado conseguiu deixar o setor equilibrado.

A Inter possui o melhor elenco do calcio, mas se tornou o clube odiado por todos na Bota. A vinda de Mourinho aumenta a raiva. Sempre fugindo das obviedades em suas entrevistas, o estilo arrogante e prepotente do treinador leva a loucura os adversários.

Inglaterra

O clássico da terra dos Beatles deu o lógico e o Liverpool bateu o Everton por 2 a 0.

domingo, 28 de setembro de 2008

Acreditar sempre

Uma corrida especial merece um vencedor especial. Singapura sediou o primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1 que ocorreu à noite. Não bastasse esse ineditismo, a prova era a de número 800 da história da categoria. Um número redondo, bonito. A vitória ficou com Fernando Alonso, o melhor piloto da atualidade.

O espanhol está penando este ano com uma Renault que não lembra aquele carro fantástico que lhe deu dois títulos mundiais. Desde os primeiros treinos na Cidade-Estado ele vinha fazendo um desempenho fantástico, incomodando as Ferrari e McLaren e candidatando-se para largar na primeira fila. No sábado, um problema na alimentação da gasolina fez seu bólido parar no meio da pista. Mãos na cabeça e desespero ao sair do cockpit, essa foi sua reação. Naquele momento. Alonso viu sua chance de vitória secar.

Mas campeões são iluminados. A equipe resolveu fazer uma estratégia diferenciada, antecipando o primeiro pit stop. A esperança era contar com uma bandeira amarela com entrada do safety car logo após o reabastecimento. Foi exatamente o que ocorreu. Isso somado ao erro da Ferrari na parada de Massa, Alonso se viu na ponta e administrou a vantagem até o fim.

O bicampeão merecia vencer este ano. Ele tem sido um leão, tem corrido como um maluco tentando no braço tirar a desvantagem por ter um carro lento com um motor pouco potente. Seu arrojo o fez cometer alguns erros. Acontece. A vitória brinda um piloto que sempre quer mais, sempre procura a ultrapassagem. Se todos tivessem seu ímpeto, as corridas seriam melhores. Porém, a maioria dos pilotos prefere se esconder que a aerodinâmica dos carros deixa as ultrapassagens quase impossíveis.

Notas rápidas e furiosas

* No decorrer da temporada Massa cresceu muito como piloto. Após os erros nas primeiras provas, ele aprendeu seu limite. Não erra mais. Porém, a Ferrari diminuiu muito como equipe. O erro de liberar o piloto ainda com a mangueira do carro é inaceitável e pode jogar o título pelo ralo, no caso pela bomba de combustível.

* Existem objetos que a tecnologia não substitui. O “homem pirulito” é muito mais eficiente que o aparato eletrônico inventado pelos italianos.

* A regra de fechar a entrada no pit lane assim que o safty car entra na pista não funciona. É injusta fazer com que as equipes tenham que contar com a sorte para abastecer e trocar pneus.

* Fantástica a corrida noturna. Lógico que ainda são necessários ajustes, mas é um belo espetáculo.

* Piquet voltou a errar. O brasileiro cometeu erros demais durante o ano. Teve poucos bons momentos. Está a perigo.

* Sete pilotos (Massa, Raikkonen, Hamilton, Kovalainen, Kubica, Vettel e Alonso) venceram este ano. Nos construtores, são cinco equipes diferentes colocando um piloto no ponto mais alto do pódio. Como na próxima temporada ocorreram mudanças significativas na aerodinâmica dos carros, a disputa pode ser mais acirrada ainda.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Erro em cima de erro

A FA (Federação Inglesa de Futebol) fez uma presepada de dar inveja ao pessoal da CBF. Vamos começar pelo fim.

No fim de semana, Watford e Reading enfrentaram-se pela Championship (Segunda Divisão inglesa). A partida terminou empata por 2 a 2, porém, olhe como foi marcado um dos gols do Reading.



Um erro que nem Armando Marques cometeria. A bola não passou nem perto do gol. O Watford, que já teve como dono o cantor Elton John, pediu o cancelamento do resultado e que um novo confronto fosse marcado. A FA negou o pedido. É uma decisão discutível, visto que o erro foi grande demais, porém poderia abrir procedentes para uma enxurrada de pedidos.

Porém, na rodada anterior da Premier Legue – a Primeira Divisão – o zagueiro do Chelsea, John Terry, foi expulso. Após reverem o lance pela TV, os dirigentes da FA resolveram ANULAR o cartão do defensor e com isso ele pode entrar em campo, normalmente, no domingo contra o Manchester United.

A jogada com Terry, capitão da seleção inglesa (coincidência, não?), é de interpretação. O lance com o Watford não dá margem para análises. Por um momento de desatenção por estar coçando o olho, pensando nas dívidas, ou qualquer que seja o motivo que o auxiliar tenha perdido o foco, ele levantou a bandeira e o juiz assinalou equivocadamente o gol. Se um cartão que não influenciou o resultado da partida foi cancelado, por que uma jogada escandalosa não foi revertida?

Se num primeiro momento se “desapareceu” com um cartão, deveria-se “apagar’ um gol e marcar uma data para nova partida. O erro maior está no começo. Esse é o maior problema do futebol, quando pessoas que não calçam chuteiras resolvem mudar o rumo de que ocorreu dentro das quatro linhas.

PS: A mania de fair play virou exagero, mas dessa vez não seria o caso dos jogadores do Rereadng avisarem que o gol não ocorreu?